sábado, 5 de dezembro de 2009

Eu tenho vergonha alheia




Tudo bem que exista revolta quanto à a vergonha de mais um Mensalão no Congresso. Nada mais certo e esperado. E sim, com certeza alguma movimentação do povo brasileiro quanto à isso deveria existir, porque isso tudo é uma vergonha. Mas daí fazer o que o movimento estudantil veio fazendo, existe uma diferença muito grande.
A cena chega a ser ridiculamente insana: porta de vidro quebrada, vidraças, detector de metais reduzido a nada, mesas das salas riscadas com facas, teto quebrado. Teto quebrado? Sim, isso mesmo, nem o teto sobreviveu à essa loucura. Meu Deus! Como, me explique, como que essas criaturas conseguiram quebrar o teto de gesso de um lugar?  Quer saber, se eu fosse deputada não ia querer mesmo ir lá votar. Medo, terror e pânico pela minha integridade física, que após essa baderna toda, foi "garantida pelo líder do movimento estudantil". Ahan, tá bom! Nessa eu não caio nem a pau juvenal. Não conseguiu fazer um movimento organizado antes, vai fazer agora, depois de literalmente quebrar tudo? E detalhe, quando uma deputada tem que usar um megafone pra falar que com essa zorra toda e barulho, não vai dar nem pra ler e começar a sessão pra votação de impeachment, quem sai perdendo no final???
Ontem de noite, conversando com uma amiga minha jornalista sobre o assunto, eu  só pude aumentar a minha sensação de não pertencimento à minha classe: estudantes jovens. De verdade. E ela me contou que na época dela da Unb, os movimentos na sala do reitor eram pacíficos. Bagunçados, como todos, porque se trata de um monte de jovens juntos querendo causar. Mas o detalhe vem do que ela contou depois: eles tiravam foto de tudo quando chegavam e arrumavam depois como acharam, porque o intuito do movimento era chamar a atenção, não depredar tudo e sair na primeira página do Correio Braziliense "queimando um" na sala do reitor, em plena mobilização estudantil. Sério! Que país é esse? Fico imaginando o desgosto de alguns pais ex caras-pintadas vendo isso...
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O pai está vendo o jornal local. E as notícias mostram a baderna do movimento estudantil no Planalto Central.


- Joãozinho, você viu o que aqueles jovens fizeram no nos corredores do plenário? - Pergunta o pai.
- Vi pai! Irado, né? Eu tava lá! É isso aí velho, tava lá mostrando pra esses políticos que não pode ficar impune não, que ninguém aqui quer saber de panetone não. A gente já chegou gritando "uhú vamo invandir" aí véi, a gente deu umas pauladas, chutes, quebramos aquele detector de metal e as vidraças já de cara. Daí a "zorra" foi pro corredor, quebramos até os tetos de gesso... - Se gabou Joãozinho.


O pai, ex cara-pintada, catatôtico com a resposta do filho, ficou sentado de frente pra tv, assistindo o resto do jornal local. Ou ao menos fingindo. Nada se sabe, já que depois desse dia, ele viveu chocado, com a mesma expressão.
Até que, dias depois, no meio da mesa de jantar, o pai fala pra mãe...


- É a televisão, só pode ser...culpa da televisão. A televisão que criou...os enlatados americanos...


A mãe não entende nada e se preocupa, já que o marido estava com essa expressão há uns dias...



- A televisão o quê, amor?


Ele, mantém a expressão de choque misturado com o nada.


- É a televisão, é ela...tele...enlatados...tv...
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Quer saber? Se fosse filho meu, apanhava quando chegasse em casa. Podia ter 18, 20, 22 anos ou mais. Mas que ia apanhar ia. Fala sério! E não ia ficar fazendo "faxina" com os coleguinhas nas dependências da Câmara pra melhorar a imagem perante a imprensa depois do absurdo feito não. Ia é fazer trabalho de pedreiro, rebocar o teto, arrumar tudo.
Onde já se viu isso...É loucura mesmo!

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