Fim de semana passado saí de casa e fui ao mercado pra fazer uma comprinha “básica” de um bom vinho, um queijo gruyère, um gouda e um roquefort. Desço do carro e escuto “moça, será que você não tem um trocado pra me dar não?” E logo, minha imediata resposta foi que não tinha, que ia pagar no cartão (sendo que nem cartão eu tinha porque roubaram minha carteira na sexta, mas tudo bem...). Em seguida, a pessoa pergunta se eu posso comprar um saco de arroz. Eu não respondi. E entrei, caminhei em direção aos vinhos, peguei meus queijos logo depois e fui abordada novamente, dessa vez no mercado, por duas meninas, me chamando de “tia” e pedindo pra eu comprar um pão. E então bateu aquele peso na consciência. Falei pra elas pegarem um saco com 10 pães e um refrigerante. E pedi licença da fila (e também pedi pra guardarem o meu lugar. Nunca vi, supermercado cheio em pleno sábado de noite!) e peguei o saco de arroz também. Passei as compras, dei os pães e o refri pra menina e sua irmãzinha e procurei a pessoa do arroz. Nada! Logo, dei o arroz pra mesma menina do pão.
Enfim, essa época de Natal é complicada. Minha consciência sempre pesa e não sei se é justamente pra deixá-la mais leve que eu acabo contribuindo com diversas “caixinhas de Natal” de pedintes no trânsito, em comerciais, estacionamentos, seja onde for. E também acabo contribuindo com aqueles que me abordam quando vou comprar algo. É algo que eu ainda não aprendi a controlar, porque eu sempre acabo sentindo uma culpa enorme por estar lá, fazendo uma compra fútil pra ficar de pilequezinho em casa vendo meus filmes pay-per-view enquanto eles querem alguma coisa pra comer.
Sim, daí vem o mérito de dar esmola. Eu não acho certo, mas dou. Chega a ser hipócrita minha opinião, já que eu acho que esmola faz com que a pessoa não se esforce de maneira alguma. Quando eu estagiava na Radiobrás, quase todos os dias, quando parava no sinal para subir a rua e estacionar, tinha um rapaz vendendo balas, chicletes, paçocas e afins. Eu fazia questão de comprar toda vez que tinha trocadinhos, porque eu via esforço sendo aplicado. É injusta sim a vida e a distribuição de renda no país. E têm aqueles números que todos nós sabemos de cor e salteado como 5% da população detém as maiores riquezas, e da festa do panetone do Arruda aqui em Brasília...(Como se não bastasse tamanha pobreza, ainda tem isso...) Mas deixa o Arruda pra outro post, quero esperar a resposta dele...
A disparidade de distribuição de renda é alarmante. E até que ponto a realidade social não é nossa culpa? De certo, a falha na distribuição de renda pelo país não é responsabilidade do cidadão. Bom, em termos, pois o mínimo de conscientização quanto aos mais necessitados deveria existir. É chocante a carência de disponibilidade das pessoas para com os outros. Allan Luks, autor do livro “O poder da cura do fazer o bem” (título original em inglês: The healing power of doing good), descobriu em sua pesquisa que oito entre dez dos entrevistados tinham melhoras significativas de saúde pelo bem-estar proporcionado ao ajudar o próximo.
A cada dia, surgem novas instituições ligadas às causas ecológicas, sociais, educativas, suporte a lares para idosos, crianças, centros de ajuda para doenças especiais, deficiências físicas e mentais e também para ajudar animais. Não há desculpa para não ajudar. O que acontece muitas das vezes é o fato de alguém ter a força de vontade, mas não saber por onde começar. A primeira coisa a ser feita é avaliar as ONGs e causas e ver com a qual se tem mais identificação de valores e missões. O próximo fato é avaliar se realmente há tempo disponível. Voluntariado não deve ser tratado com displicência por ser serviço voluntário. O comprometimento deve existir como em qualquer outra atividade, já que o trabalho voluntário merece e depende de quem se dispôs a fazê-lo.
Sábado mesmo, antes de ir ao mercado estava conversando com umas amigas minhas que são voluntárias, que estavam meio chateadas com algumas das pessoas que trabalhavam com elas, que tratavam a causa como totalmente secundária. Essa é a questão. Podem ser apenas três horas por semana, mas nessas três horas, o comprometimento tem que existir.
Várias amigas minhas fizeram parte de programas voluntários esse ano. Elas reuniram-se a um grupo, espremeram um tempinho na agenda e vida social e investiram esse tempo para arrecadar brinquedinhos pra creches em São Sebastião e Ceilândia, para o dia das crianças. Uma delas chegou pra mim e falou que a sensação de ver a felicidade de uma criancinha ganhando um brinquedinho era completamente indescritível, e que assim ela percebeu como é fácil ajudar e o tanto que um gesto tão pequeno significa muita coisa pra quem recebe.
Que tal aproveitar o Natal e procurar projetos, ONGs, cooperativas, o que achar melhor? Há duas semanas, minha vó anunciou no almoço de família que o presente dela de Natal pra nossa família iriam pra um lar de velhinhas e contou que o pessoal do prédio dela estava recolhendo arrecadações de fraldas geriátricas, artigos simples de beleza, como batom, blush e colônias e também quantias em dinheiro. Não é difícil achar esse tipo de movimento de ajuda nessa época.
Um projeto bem grande e conhecido é o KM de Brinquedo, da ONG Gente Nova. O projeto, que tá na sua 10ª edição consiste em recolher brinquedos para diversas instituições do DF. O nome é esse porque após a arrecadação, é promovido um dia de evento para contagem das contribuições onde os brinquedos são dispostos em fila e contada a metragem, toda feita pelo INMETRO (Instituto de Metrologia), para assegurar a contagem exata. Neste ano, o dia do evento será dia 6 de dezembro. A meta para essa edição é de 10 km, o que colocaria Brasília na mira do Guiness Book. Então, além de presentear criancinhas, faria com que a capital fosse mencionada no livro dos recordes. Muito bom! Quem quiser contribuir, eis alguns pontos de arrecadação: Supermercados Supermaia; lojas Cia da Terra, na QI 15 e QI 25 do Lago Sul e QI 3/4 do Lago Norte; Colégio Maristinha, todos os blocos da quadra 304 do Sudoeste, dentre outros. Para a lista completa dos postos e mais detalhes do projeto e da ONG, é só acessar o site acesse http://www.gentenova.com/.
Pra quem gostou da idéia, fica aqui a dica de ajudar instituições não só no Natal, e sim durante o ano todo. Confesso que ajudei poucas vezes, e muitas vezes meu questionamento foi porque, sinceramente, eu não estaria comprometida o suficiente pra manter o meu trabalho. Mas desde que minha editora me pediu uma matéria sobre voluntariado, descobri um site http://www.voluntariosonline.org.br/, que é do Instituto Voluntários em Ação, de Santa Catarina. Eles criaram uma forma inovadora que une instituições e voluntários num só lugar. Quem quiser ser voluntário, é só se cadastrar e escolher uma instituição pra ajudar, online ou presencial. O site conta com cerca de 362 entidades cadastradas em 11 estados e já encaminhou cerca de sete mil voluntários.
Aqui ficam também dicas pra quem quer ajudar presencialmente:
- O Centro de Voluntariado do Distrito Federal disponibiliza online uma lista telefônica e endereços de quase 100 instituições do Distrito Federal que necessitam de ajuda. Além disso, o CVDF promove o Projeto Alfa, que alfabetiza adultos de todas as idades. Para 2010, o CVDF promoverá, no primeiro semestre, a 3ª Oficina de Capacitação de Alfabetizadores da CVDF. Os interessados devem entrar em contato com Emilio Hiroshi Moriya no número (61) 9681-0963 ou pelo e-mail nucleoalfa@gmail.com. Mais informações no site http://www.voluntarios.org.br/.
- A Associação de Voluntários do Hospital Universitário de Brasília (AVHUB) promove vários projetos com o objetivo de dar apoio emocional e assistência para os pacientes do hospital. São cerca de 10 projetos, dentre eles o Bula do Riso, onde os voluntários se vestem de palhaço e visitam os pacientes, e o Contadores de Histórias, no qual os participantes contam histórias diversas para os pacientes. Quem se interessar deve procurar a associação na 604/605 Norte (L2 Sul), bloco A, no ambulatório principal do HUB, corredor vermelho, sala 74, ou pelos telefones (61) 3348-5378 ou 3307-1598. Há também a opção de doação para o bazar da AVHUB ou doações em dinheiro, na conta 437.666-8, agência 3606-X, do Banco do Brasil.
- A Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer ou Homeopatias (ABRACE). Ela carece de serviços de nutricionista, advogado para causas cíveis, estatístico, pedagogos, professores de informática, psicólogos, assistentes sociais, dentre outros profissionais. É uma chance para quem ainda não está no mercado, mas busca experiência profissional e quem sabe o aposentado, que está com bastante tempo livre, que pode passar sua experiência para frente, ocupar seu tempo e sentir-se útil. Para isso, é só entrar em contato com a associação pelo telefone (61) 3212.6070 ou mandar as dúvidas para voluntariado@abrace.com.br.
É isso aí! Fazer o bem sem olhar a quem!
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Fazer o bem sem olhar a quem
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